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Artigo: Varejo inteligente na moda como transformar a gestão do estoque em melhores resultados

Entender o sortimento, planejar as compras e acompanhar as vendas ajuda o lojista a cuidar do dinheiro investido
Por Ruama Demir, Coordenadora de Negócios/AC
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A loja recebe novidades e vende, mas falta dinheiro para pagar fornecedores e renovar as mercadorias. Parte dos recursos permanece nas araras, em peças de pouca saída, enquanto faltam tamanhos e modelos procurados. Conectar compras, vendas e estoque ajuda a corrigir esse desequilíbrio: cada peça adquirida é uma decisão sobre onde investir o dinheiro da empresa.

Sortimento é variedade e profundidade é quantidade

Sortimento é o conjunto de opções oferecidas pela loja. Cada variação de modelo, cor ou tamanho pode receber um SKU, código usado no controle do estoque. Uma blusa preta P, por exemplo, tem um SKU diferente da mesma blusa no tamanho M. Profundidade é a quantidade de unidades de cada SKU: oito blusas pretas M idênticas representam profundidade de oito unidades.

Na ilustração, dois modelos em três tamanhos formam seis SKUs e somam 23 peças. A variedade aparece no eixo horizontal; a quantidade de cada opção, na altura das barras.

Exemplo de sortimento e profundidade. Quantidades fictícias.

Ter muitas peças não garante atender bem. O equilíbrio depende da procura: itens de saída recorrente podem receber mais unidades, enquanto novidades podem ser testadas em menor quantidade.

Cada faixa de preço precisa comunicar seu valor

O cliente precisa perceber por que duas peças têm preços diferentes. Tecido, acabamento e modelagem ajudam a explicar o valor, assim como o atendimento e o visual merchandising, a forma de organizar e apresentar os produtos. Cada faixa deve entregar valor coerente com sua proposta, sem tratar a peça mais acessível como inferior.

Araras organizadas, iluminação, sinalização e composições de looks facilitam a escolha. Peças essenciais e produtos para ocasiões especiais podem ocupar áreas distintas, preservando combinações entre itens de diferentes preços.

A exposição comunica a proposta dos produtos; o gestor acompanha o resultado de cada grupo.

Essa organização também orienta a análise de faturamento, volume vendido, margem e estoque. O gestor deve identificar os SKUs de cada grupo e atualizar o acompanhamento quando a exposição mudar. A margem pertence aos produtos vendidos; a arara é uma referência para analisá-los.

Em um exemplo simplificado, um grupo faturou R$ 2.000 e deixou R$ 700 após descontar o custo das mercadorias vendidas e as despesas variáveis dessas vendas. Sua margem de contribuição foi de 35%, valor que ainda precisa ajudar a pagar despesas fixas e formar o lucro.

Preço alto não garante margem alta. É preciso considerar custos reais, descontos, tributos e demais despesas variáveis. Um grupo com margem percentual menor pode gerar contribuição total maior se vender mais unidades.

As coleções precisam conversar com a realidade do Acre

Os ciclos de outono/inverno e primavera/verão orientam tendências, mas a compra deve considerar como o cliente usará as roupas. No Acre, a referência ao inverno está ligada às chuvas e não deve resultar automaticamente em grandes compras de peças pesadas. Episódios de frio, viagens e ambientes climatizados podem justificar itens específicos, conforme a procura.

O lojista pode aproveitar cores, estampas e modelagens das coleções, escolhendo tecidos adequados ao cotidiano do público. Histórico de vendas, pedidos dos clientes, ocasiões de uso e prazo de reposição ajudam a adaptar a oferta.

Novidade pode chegar em pequenas entradas planejadas

Dividir as compras em entradas menores permite renovar a oferta e testar modelos. A frequência deve considerar vendas, entregas, frete e capacidade financeira. Comprar pouco e frequentemente só faz sentido quando os custos e a operação permitem.

Combine a reposição dos itens conhecidos com testes de novidades em menor quantidade. Antes de cada pedido, desconte da necessidade de compra o estoque disponível e as mercadorias já encomendadas. Reservar parte do orçamento, conforme o caixa e os compromissos assumidos, permite responder à demanda sem investir tudo no início da coleção.

A renovação também pode vir de novos looks e vitrines, associados a datas e hábitos do público. Na divulgação, diferencie mercadoria recém-chegada de novas composições com peças já disponíveis. A mudança precisa ser avaliada pelo que efetivamente vende e pelo dinheiro recuperado para a operação.

Uma rotina semanal para decidir melhor

Reserve um momento da semana para conferir os produtos mais vendidos, os de menor saída e os tamanhos em falta. Além do faturamento, acompanhe a margem realizada, o volume vendido e a cobertura do estoque, que estima por quanto tempo as unidades disponíveis atendem à procura.

Se há seis unidades de uma peça e a loja vende duas por semana, a cobertura é de três semanas, caso esse ritmo se mantenha. Compare esse prazo ao de reposição para evitar que o produto acabe antes da próxima entrega.

Nos itens de baixa saída, investigue preço, exposição, modelagem e adequação ao público antes de repetir a compra ou aplicar descontos. Defina providências: repor, reorganizar a exposição, ajustar a divulgação ou rever um pedido.

Analisar sortimento, profundidade, preço e vendas em conjunto ajuda a distribuir melhor o investimento. Diante das araras, vale perguntar: o dinheiro aplicado neste estoque está acompanhando o que meus clientes querem comprar?

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