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Empreendedores apresentam produtos que unem inovação, sustentabilidade e identidade amazônica

Produtos como borracha, cerâmica e cosméticos de diferentes estados transformam recursos e identidade regional em negócios.
Por Pâmela Celina
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Startups que apresentam soluções desenvolvidas a partir de matérias-primas e referências regionais. Foto: Jhelielson Maia

Produtos que carregam a história, os recursos naturais e os saberes da Amazônia ganham novas formas e chegam a diferentes mercados durante o Inova Amazônia. O evento segue nesta sexta-feira (18), no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (UFAC), e reúne startups que apresentam soluções desenvolvidas a partir de matérias-primas e referências regionais, para mostrar como inovação, sustentabilidade e identidade amazônica podem se transformar em oportunidades de negócios.

Entre os expositores está José Rodrigues de Araújo, que fundou a marca Dr. da Borracha. Ele conta que trabalha há 20 anos com produtos feitos a partir da borracha e que a atividade faz parte da história de sua família.

Neto e filho de seringueiro, ele também exerce a profissão que o fez criar produtos com características únicas. A trajetória de José começou com a produção de borracha defumada e passou por diferentes técnicas até chegar à fabricação de peças como bolsas, sapatos, colares, pulseiras, brincos e anéis.

“Eu sou seringueiro, filho de seringueiro e neto de seringueiro. Meu avô, quando veio do Nordeste, na Segunda Guerra Mundial, veio para a Amazônia para cortar a seringa. […] E a gente continuou cortando a seringa”, relatou.

Ele conta que, em 2004, participou de um curso com a Universidade de Brasília (UnB) para aprender a trabalhar com a Folha Defumada Líquida (FDL), técnica que abriu novas possibilidades para transformar a matéria-prima em produtos artesanais. Logo depois, passou a trabalhar também com a Folha Semi-Artefato (FSA), utilizada como produto acabado para artesanato.

Dr. da Borracha fabrica peças como bolsas, sapatos, colares, pulseiras, brincos e anéis. Foto: Jhelielson Maia

A experiência familiar de José acabou se transformando em uma atividade empreendedora e em uma forma de ressignificar um produto diretamente ligado à história da região. Para ele, participar do Inova Amazônia é uma oportunidade de apresentar essa produção a novos públicos.

“Esse produto é um inovador. Esse daqui é bem inovador, só eu faço ele no mundo, dessa fórmula aqui. Então estar nesse evento aqui é muito importante porque já está dizendo Inova, produtos inovadores”, afirmou.

Segundo o empreendedor, estar no evento também representa a possibilidade de ampliar o alcance dos produtos. “Eu estou no lugar certo de expor o produto ecológico e sustentável e ambiental. E assim apresentar para mais pessoas, para o Brasil e para o mundo”, destacou.

A percepção de quem visita o evento também revela o interesse por produtos que combinam tradição e inovação. A empresária Ozi Cordeiro, de 63 anos, que vive no Ceará desde 2021, conheceu os produtos do Dr. da Borracha e adquiriu algumas pulseiras.

“Eu amei ver como que já deu um salto de produtos que eu não conhecia. E os que eu conhecia, vi que estão sendo aprimorados”, relatou.

José Rodrigues de Araújo conta que trabalha há 20 anos com produtos feitos a partir da borracha. Foto: Jhelielson Maia

Potencial da cerâmica no Acre

A produção de cerâmica também aparece como uma possibilidade de fortalecimento da economia criativa no Acre. À frente do Atelier Villanova, a arquiteta Kamilla Villanova, de 35 anos, conta que trabalha há quase quatro anos com a atividade e que vê na produção uma oportunidade de ampliar a presença da cerâmica no estado.

Natural de Mato Grosso do Sul, a empreendedora relata ainda que, quando chegou ao Acre, encontrou poucas opções de espaços dedicados ao ensino e à produção de cerâmica. A partir da formação feita fora do estado, decidiu criar o próprio ateliê e buscou o apoio do Sebrae para estruturar o negócio.

Produção de cerâmica também aparece como uma possibilidade de fortalecimento da economia criativa no Acre. Foto: Jhelielson Maia

“Eu recebi um presente, ser convidada pelo Sebrae para dar um grande destaque à cerâmica. A cerâmica realmente não é tão difundida aqui no estado, e é uma missão que eu tenho”, afirmou.

O trabalho reúne peças decorativas e utilitárias, incluindo itens para cozinha e decoração. A empreendedora detalha que utiliza dois tipos de cerâmica: a de alta temperatura, com peças esmaltadas, e a de baixa temperatura, representada pelas terracotas. Neste último tipo, ela utiliza argila do Acre, matéria-prima que, segundo ela, é abundante no estado e apresenta características adequadas para a produção.

“As terracotas eu uso a argila do Acre, que tem abundância aqui no estado, uma argila boa. Eu faço alguns tratamentos com quartzo, areia, mas é uma argila que dá pra gente trabalhar bem”, explicou.

Trabalho reúne peças decorativas e utilitárias, incluindo itens para cozinha e decoração. Foto: Jhelielson Maia

Além da produção e comercialização das peças, Kamilla trabalha para ampliar o acesso à cerâmica por meio de cursos e da criação de uma associação. A proposta inclui buscar recursos para criar uma escola voltada à população de baixa renda, mulheres em situação de vulnerabilidade e pessoas interessadas em aprender a técnica, além da criação de um forno coletivo.

“Eu quero fazer um forno coletivo que todo mundo consiga queimar suas peças, ter acesso à argila e difundir mais a cerâmica aqui no estado, ter uma identidade da cerâmica aqui”, destacou.

Cosméticos a partir da biodiversidade

A biodiversidade amazônica também inspira negócios no setor de cosméticos. A empreendedora Eliana Fernandes Furtado, de 69 anos, é de Roraima e apresenta no Inova Amazônia produtos da sua startup Savana Amazônica. Criada em 2023, a marca utiliza bioativos da região em cosméticos e itens de perfumaria.

Segundo Eliana, a empresa trabalha com produtos como sabonetes, cremes, pomadas, esfoliantes, perfumes e aromatizadores. Entre os ingredientes utilizados estão cupuaçu, açaí, buriti e castanha-do-pará.

Savana Amazônica foi criada em 2023 e utiliza bioativos da região em cosméticos e itens de perfumaria. Foto: Jhelielson Maia

“Nós temos esses cosméticos aqui que têm como base um vegetal da nossa região, da região de Savana, onde ele entrega para os consumidores uma perfeição no rosto, uma limpeza, um tratamento”, detalhou.

A proposta da marca, de acordo com a empreendedora, é associar os produtos à experiência e às características da Amazônia. Os aromatizadores, por exemplo, foram desenvolvidos para remeter aos aromas encontrados na floresta.

“Quando você tem contato com os nossos aromatizadores, dá a impressão de que você está dentro da floresta amazônica. Porque é aquele cheiro de folha, aquele cheiro, aquela mistura de cheiro de terra molhada”, descreveu.

Proposta da marca, de acordo com a empreendedora, é associar os produtos à experiência e às características da Amazônia. Foto: Jhelielson Maia

Para Eliana, a biodiversidade funciona como uma fonte de possibilidades para o desenvolvimento de novos produtos. “A Amazônia tem seu cheiro. Então, todos os bioativos que nós utilizamos nos nossos produtos são da Amazônia”, afirmou.

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