
A valorização da identidade, da cultura e da ancestralidade amazônica foi o ponto central da palestra magna “Mudar a forma de pensar para transformar a Amazônia”, apresentada pela cantora Fafá de Belém, durante o Inova Amazônia Summit 2026.
A atividade propôs uma análise sobre a necessidade de romper barreiras e transformar a maneira como a própria região se reconhece e é apresentada ao restante do país. A palestra também levou ao público uma reflexão sobre identidade, cultura e protagonismo amazônico, para reforçar a importância de reconhecer a força da região a partir de suas próprias experiências, conhecimentos e trajetórias.
Com 51 anos de carreira, Fafá afirma que sua trajetória profissional está diretamente ligada à defesa e à valorização da Amazônia. Segundo a artista, há cinco décadas ela fala sobre a região e, especialmente, sobre a experiência de ser uma mulher amazônica.
“Eu tenho 51 anos de carreira e há 50 anos eu falo de Amazônia, de mulher amazônica, de como nós somos, do nosso empoderamento, naquela altura não existia essa palavra”, afirmou.

Para a cantora, falar cada vez mais sobre a própria identidade é uma maneira de enfrentar resistências e romper com uma visão que, segundo ela, fez com que os próprios amazônidas deixassem de reconhecer aspectos de sua cultura e de seu legado.
“É muito difícil quebrar resistências, é muito difícil quebrar bolha. Então, quanto mais nós falamos de nós, vamos quebrar resistências internas também, porque a gente se acostumou a receber e mesmo que esquecemos quem nós somos”, destacou.
A artista também chamou atenção para a importância de reconhecer manifestações culturais e conhecimentos transmitidos entre gerações. Para ela, elementos presentes no cotidiano da região passaram a ser vistos apenas como hábitos, deixando de ser reconhecidos como parte de uma identidade cultural.
“É como tudo é hábito nosso, a gente parou de ver como cultura. Ao nosso legado, a nossa ancestralidade”, pontuou.

Resistência e união amazônica
Durante a palestra, Fafá também defendeu uma maior articulação entre estados amazônicos como estratégia para ampliar a força da região. Na avaliação da artista, a Amazônia precisa reconhecer que seus diferentes territórios fazem parte de uma identidade coletiva.
“Eu acho que a hora de nós, estados amazônicos, entendermos que nós somos um só povo, e junto começamos a quebrar as barreiras que nos impedem de estar juntos, principalmente, porque juntos nós somos mais fortes”, declarou.
A cantora também citou a experiência do estado da Bahia como referência de articulação para ampliar sua presença no circuito cultural e econômico nacional. Para ela, os estados amazônicos podem construir caminhos próprios a partir da valorização de suas características e da atuação conjunta.

Fafá destacou ainda que iniciativas como o Inova Amazônia Summit contribuem para ampliar esse debate ao criar espaços para que pessoas da própria região compartilhem suas experiências e perspectivas.
“[Espero que] cada vez mais venham projetos como esse, e cada vez mais nós, que somos pessoas leigas, possamos falar da nossa experiência que é ser mulher num país que nos vê atrás de uma cortina de fumaça”, afirmou.
A artista também compartilhou experiências acumuladas ao longo da carreira e de iniciativas que ajudaram a ampliar a presença da cultura amazônica. De acordo com ela, projetos que enfrentaram resistência podem se consolidar e gerar novas iniciativas.
Fafá apontou ainda uma palavra que considera fundamental para a trajetória da região. “Eu acho que a palavra nossa a ser incorporada é resistência”, complementou.
