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Projeto arquitetônico do Inova Amazônia Summit celebra a ancestralidade e identidade acreana

Com uso de matérias-primas locais, mão de obra regional e homenagens à cultura da floresta, projeto une inovação e legado
Por Maria Fernanda Arival
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Quem percorreu os espaços do Inova Amazônia Summit 2026, no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), percebeu que a estrutura vai muito além de uma simples cenografia de evento.

O projeto arquitetônico, idealizado pelo arquiteto Ezio Deda e pelo escritório Ágora Arquitetos a convite do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional) e do Sebrae no Acre, foi totalmente concebido para refletir a essência, a história e a biodiversidade da Amazônia Sul-Ocidental.

Projeto une inovação e legado, com homenagens à cultura da floresta. Foto: Emerson Rodrigo

A conexão da equipe com o estado não é de hoje. Há cerca de uma década, o escritório foi o responsável pelo projeto do Museu dos Povos Acreanos, trabalho que exigiu mergulho profundo na cultura local.

“Quando veio o convite para o Inova Amazônia Summit, foi um momento de coroação de todo esse trabalho que já fizemos aqui. Tivemos a oportunidade, depois de dez anos, de voltar a esta região, ao Acre, para planejar e projetar essa estrutura”, destaca Ezio.

Identidade autêntica e rejeição ao “fake”

Um dos pilares centrais do projeto foi o compromisso ético e estético com a verdade dos materiais. A proposta recusou o uso predominante de elementos artificiais comuns em estruturas temporárias, priorizando a matéria-prima e a mão de obra regionais.

O bambu foi uma das matérias-primas em destaque no projeto. Foto: Jhelielson Maia

“Essa edição no Acre teve todo o projeto concebido valorizando o os materiais, a matéria-prima, a mão-de-obra, as cores, os encantados da floresta, as principais espécies da floresta, a tecnologia construtiva da casa de seringueiros. Nós não queríamos trabalhar com essa coisa fake, tanto do MDF, da lona, do plástico absolutamente isso entra de alguma forma, mas não como matéria-prima principal”, disse.

Em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) priorizados pelo Sebrae, a contratação de profissionais locais foi requisito fundamental.

O Acre tem a maior reserva de bambu natural do mundo, tanto que as instalações das startups são estruturas que fazem homenagem às árvores com a matéria-prima do bambu feita por profissionais daqui do Acre. Foi uma exigência o próprio Sebrae fez, continuou.

A castanheira das histórias e a Casa do Seringueiro

Entre as atrações que mais impressionaram os visitantes está a instalação da Castanheira Central. Inspirada em uma obra similar do Museu das Amazônias, em Belém (PA), a estrutura interativa traz a experiência de “ouriços falantes”.

“Ouriços Falantes” transmitiam histórias de dez espécies marcantes do ecossistema amazônico. Foto: Emerson Rodrigo

Utilizando ouriços de castanha verdadeiros, a instalação permite ao público ouvir relatos narrados pela atriz riobranquense Karla Martins sobre dez espécies marcantes do ecossistema amazônico.

Outro grande destaque foi a integração harmônica com o ambiente natural do campus da Ufac.

“Esse espaço da Ufac é extraordinário e conseguiu acomodar todas as instalações. Temos aquela área com aquele jardim, que tem o topografia bastante regular e que fizemos as casas dos seringueiros para serem os espaços da instalação respeitando também a topografia local e a própria disposição das árvores existentes. O projeto respeitou também o espaço da Ufac. Não tinha espaço mais extraordinário que esse”, destacou Ezio.

Durante o evento, a Casa do Seringueiro abrigou o SPA da Floresta e redário. Foto: Pedro Nascimento

O projeto contou com a colaboração direta dos profissionais Eduardo Lucas e Mário Lima.

Legado para a comunidade

A integração entre o evento e a instituição de ensino deixará frutos permanentes para o estado do Acre. Ao término do Inova Amazônia Summit, as estruturas das casas de seringueiro montadas no local ficarão para uso da Ufac, assim como os decks em madeira e toda a cenografia em bambu.

Estrutura de cenografia em bambu e parte da estrutura em marcenaria fica para uso da Ufac. Foto: Jhelielson Maia

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