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Farinha, açaí, tambaqui e castanhas ganham destaque em pratos apresentados no Cozinha Show no Inova Amazônia Summit 2026

Pratos preparados durante o evento unem ingredientes e produtos tradicionais da região para valorizar a identidade amazônica
Por Pâmela Celina
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A gastronomia foi uma das formas de apresentar a diversidade e a identidade dos produtos amazônicos para o público que participou do Inova Amazônia Summit 2027. Na programação do Cozinha Show deste sábado (19), ingredientes como farinha de Cruzeiro do Sul, o açaí de Feijó, o tambaqui, a castanha e o pichuí ganharam novas interpretações e em pratos preparados ao vivo, com o intuito de apresentar tradição, técnicas gastronômicas e valorização dos produtos regionais.

Legenda: Croquete de tambaqui empanado na farinha de Cruzeiro do Sul foi um dos pratos apresentados | Foto: Jhelielson Maia

Um dos preparos apresentados foi o croquete de tambaqui empanado na farinha de Cruzeiro do Sul, que possui Indicação Geográfica (IG), acompanhado de molho picante de açaí de Feijó, também reconhecido por sua origem.

A chef Iza Magalhães, responsável pela preparação, destacou a origem dos ingredientes utilizados. A proposta foi reunir em um único prato produtos ligados à identidade e à economia de diferentes municípios amazônicos.

“Nós temos aqui vários elementos que são da Amazônia. Nós temos aqui a farinha com identificação geográfica de Cruzeiro do Sul, eu sou uma cruzeirense e adoro a farinha de lá, inclusive acho que é a melhor farinha do planeta, e a gente está usando o tambaqui de Rondônia e estamos usando o açaí de Feijó”, afirmou.

Segundo ela, a preparação também buscou resgatar uma forma tradicional de consumir o peixe, adaptada à proposta da Cozinha Show.

“Empanamos esse bolinho de tambaqui na farinha de Cruzeiro do Sul, como antigamente, que a gente só comia peixe empanado na farinha”, explicou.

Legenda: Chef Iza Magalhães, responsável pela preparação, destacou a origem dos ingredientes utilizados | Foto: Jhelielson Maia

Para a chef, levar esses ingredientes a um evento que reúne participantes de diferentes regiões, como o Inova Amazônia Summit, é uma oportunidade de fortalecer a identidade gastronômica da Amazônia.

“Eu acredito que a gente tem que ter uma identidade, a Amazônia e o Acre precisam ter a definição de que a sua gastronomia é potente. Então é com essa potência desses ingredientes que a gente vai mostrando para as pessoas como é que isso vai ocorrer”, defendeu.

Iza ressalta ainda que a experiência gastronômica pode ser uma maneira de aproximar o público dos territórios de origem dos produtos.

“A potência dos nossos ingredientes, ela só encontra você quando você experimenta, quando você coloca na boca. A sua memória degustativa é o que vai te levar para dentro desses municípios, sentindo esses ingredientes”, destacou.

Diversidade de sabores amazônicos

Outra preparação apresentada no Cozinha Show, neste sábado (19), foi o Riz Velouté de nozes amazônicas, acompanhado de molho à campanha de abacaxi de Porto Grande (AP), que também possui Indicação Geográfica, além de flores comestíveis.

Segundo a chef Rafaella Brozzo, responsável pela preparação, a proposta foi mostrar que ingredientes amazônicos podem ser protagonistas de pratos nutritivos e saborosos sem a necessidade de proteína animal.

“Hoje eu quero mostrar para as pessoas que não precisa ter uma proteína animal para a comida ser saborosa e nutritiva”, afirmou.

Legenda: Riz Velouté de nozes amazônicas, acompanhado de molho à campanha de abacaxi de Porto Grande (AP) também foi preparado durante o evento | Foto: Jhelielson Maia

Entre os ingredientes utilizados no preparo está a castanha, apresentada como um dos símbolos da produção regional, e o pichuí, utilizado como alternativa à noz-moscada.

“A primeira [estrela] é a castanha, que é o ouro da nossa terra. Então, hoje a gente vai fazer um bechamel de castanha com uma noz chamada pichuí, que é a nossa baunilha da Amazônia”, explicou.

O prato também utilizou o abacaxi de Porto Grande, cidade localizada no estado do Amapá, em um molho à campanha. A preparação foi utilizada para apresentar técnicas de preparo, seleção dos ingredientes e possibilidades de utilização de produtos regionais na gastronomia.

Para Rafaella, a valorização dos ingredientes frescos também está relacionada à discussão sobre alimentação e saúde. Segundo ela, a proposta é aproximar esses alimentos do cotidiano das pessoas.

“A gente fala de alimentos frescos. Estamos na Amazônia, nada melhor do que a gente trazer o fresco e o sabor do que a floresta tem de melhor. E aí estamos falando de saúde, de nutrição e alimentações do futuro e do presente. Que isso comece a fazer cada vez mais parte do dia a dia das pessoas”, destacou.

Degustação de café robusta amazônico

A programação gastronômica do Inova Amazônia Summit 2026 também contou, na sexta-feira (18), com uma degustação de cafés robusta da Amazônia, com a participação de Celesty Suruí. Natural de Rondônia, ela é a primeira barista indígena do Brasil e levou ao evento uma experiência que conecta café, agricultura familiar, sustentabilidade e cultura indígena.

“É minha primeira vez aqui no Acre, então estou muito feliz de estar apresentando meu trabalho da agricultura familiar, do povo indígena, da região Norte, que valoriza a sustentabilidade, biodiversidade, que leva a cultura, a povo, não só do estado de Rondônia, mas sim da região Norte toda”, afirmou.

Para ela, participar do evento representa também uma oportunidade de ampliar a presença das mulheres indígenas em espaços tradicionalmente ocupados por homens.

“No começo, nunca foi mil maravilhas, mas sempre teve aquelas barreiras de ser mulher indígena, quebrando algumas barreiras que trabalham na agricultura familiar, porque hoje, atualmente, o mundo vê que nesse espaço que tem mais homens. Então, levando o nome da mulher indígena pro mundo, para mim, é emocionante”, destacou.

Legenda: Participantes tiveram oportunidade de experimentar diferentes pratos durante os três dias de evento | Foto: Jhelielson Maia

A experiência de degustação também chamou a atenção dos participantes que estiveram no evento, como a Débora Menezes que destacou a diferença percebida no sabor e no processo de produção do café robusta amazônico.

“É ótimo quando sentimos o aroma do café robusto, principalmente ele sendo fermentado, que tem um sabor diferente. Eu achei muito legal a experiência”, contou.

Além da bebida, ela também ressaltou a importância de conhecer as etapas que envolvem a produção e o preparo do café.

“É único, quando você passa assim a conviver e saber como que funciona desde o início, saber que o produtor tem todo o cuidado ali para que chegue o café na nossa mesa e a forma que ela prepara, que é diferente do que eu já tinha visto, é diferente de como a gente prepara em casa”, ressaltou.

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